Eu faço isso sem remorso algum, respondendo-lhe algumas poucas palavras
quando você vem me falar sobre tudo que já sei.
Porém não é a primeira, nem a segunda, muito menos a terceira vez que
me adverte sobre os riscos da vida, os riscos que corro ao viver como
se não me importasse com o que virá.
Pois eu bem penso "deixe vir e vamos ver no que dá", ao passo que
você pensa "deixe vir e vamos pensar no que vai dar".
É uma insanidade da minha parte que contrasta com a sua sanidade
excessiva.
Talvez eu tivesse lhe dado um convite, sem local, nem horário,
apenas convidando para viver comigo a minha insanidade, a minha
vontade reprimida de sair por aí olhando tudo, caminhando pelas ruas
com os olhos fixados no céu, pois meu convite inclui uma passeada
por aquilo que vemos todos os dias, mas que não observamos.
Especifiquei, em letras grifadas e grandes, que o embarque nessa
aventura ficaria por conta e risco do convidado, e que se ele viesse,
seria para esquecer que alguma sanidade existia.
Não prenda a borboleta naquele jarro tão limitado, pois ela vive tão
pouco, e o seu único desejo é poder voar...