sábado, 29 de janeiro de 2011
Querer e não poder
Pular a janela da minha mente, nem pensar.
As grades dos pensamento impedem.
Porém eu continuo aqui, incansável na minha espera,
espero tanto, nem sei pelo quê.
Vejo o sol se pôr no horizonte, sinto cada milímetro
do meu corpo ser tomado pela sombra.
Mas eu sei que logo vem a lua, mesmo sabendo que
ela esteve lá esse tempo todo, e eu não percebi.
Tento a cada dia me libertar dessa solidão, mas lá
na rua não há ninguém, ninguém que possa me completar.
Preciso daquela pessoa, e somente dela.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Domingo chato
e pra lembrar que meu aniversário passou em branco.
Vi meu ex com outra mulher,
minha mãe continua no hospital,
não passei no vestibular.
Conto as horas pra fazer não sei o que,
mas continuo contando.
O que me aguarda mais adiante eu não sei,
mas vai chegar o dia que vou olhar pra todos
e dizer tudo o que não pude falar no meu momento
de raiva e mágoa.
É, a poetisa também tem seu lado menos fantasioso.
A poetisa também sofre por tudo e por todos,
e tudo isso pra apenas ser feliz.
Só que eu cansei de só ser acusada como a vilã da
história, e cansei mais ainda de ter que receber
conselhos masculinos.
Meu orgulho se feriu ao máximo, e com certeza quem
o feriu não é capaz de entender o que se passa numa
mente feminina.
Acho que nem se dá ao trabalho de entender.
Porém não vou me restringir apenas aos homens, pois eles
não são o único motivo da minha revolta.
O mínimo que eu gostaria de ter agora, nesse domingo fatídico,
seria o amor maternal, mas minha mãe não está aqui.
Ei, você que tem uma mãe que ainda pode passear, correr
e caminhar por longas distâncias, aproveite essa dádiva.
Ei, você que tem alguém especial como companheiro ou
companheira, cuide bem.
Antes que alguém pergunte qual é o sentido do que escrevi,
digo que não é pra ter sentido, pois eu apenas abri esse blog
e coloquei pra fora o que estava me consumindo.
Nem sempre o que se escreve é pra ser entendido.
Talvez ninguém leia isso mesmo...
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Folder do Rock de Garagem

"Às vinte e três horas,
Na república,
Onde existe vibração,
E o sofá é estreito
Pra o casal se amassar."
Ali no canto eu vejo bebidas,
Mas a confusão não me deixa ir,
É a mistura da luz baixa,
E o rock ac/dc.
Minhas lembranças partem
Com as notas e refrão,
Não preciso de mais nada,
Me satisfaz a diversão.
Às vinte e três horas,
Na república ,
Na república,
O tablado pode não aguentar
Insanidade corporal
Bumbos e pratos,
Baquetas ao ar.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Aniversário
Anuário,
Quase aquário.
Mas é capricórnio,
Bem teimoso,
Quase inglório.
São dois patinhos,
Nadando ao infinito,
Errando o caminho.
E eu vou junto,
No embalo do vinte e três,
domingo, 16 de janeiro de 2011
Estou tentando...
Talvez eu possa entender o porque daquelas doze horas
de sumiço e desespero, aquelas doze horas de aflição
esperando por algum sinal.
Agora bem entendo que tudo não passou de excessiva
dedicação a uma pessoa, tão estranha pra mim
quanto conhecida pra você.
Reconheço que mais uma vez fracassei na minha
luta, e agora, como não sentir saudade daquilo
que não pude viver?
sábado, 15 de janeiro de 2011
Idade Mental
São apenas hormônios a mil,
Erupções de pele,
Pelos na pele,
Mas são bem desenvolvidos.
Pensam nas alegrias,
Felizes estão na bagunça,
Sem compromisso com palavras,
Nada é assim tão sério,
Mas eles são bem desenvolvidos.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Untitled
Nada mais se ajusta aos meus desejos,
E eu tento encontrar nas pessoas algo conhecido,
Um lugar eterno para repousar e pensar.
Sem mais hesitações, sem receios,
Eu acredito que posso me realizar
Nos mais breves abraços,
Nos mais esquecidos sentidos,
Para me chamarem de careta,
Ser rotulada de bizarra.
Mas a vida vai passando tão rápida,
E pensar pode levar um segundo,
Tudo se transforma em anos luz
E se reduz aos dias em que fiquei no escuro
À espera daquilo que me transformasse.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Script
No silêncio, na escuridão, ouviam-se apenas os passos de alguém
que se aproximava calmamente. Parecia estar conhecendo o lugar
onde pisava, esperando encostar naquilo que realmente queria:
uma pele suave, a qual desejava há tanto tempo.
Caminhou mais um pouco, até que sentiu uma respiração tranqüila,
e mal dava pra ouvir o ar saindo e entrando. Aproximou-se mais, e
quando não pôde mais evitar, abraçou-a, entrelaçando seus braços em
sua cintura, e ela envolvendo seu pescoço com seus braços.
Não podiam observar um ao outro, apenas lembravam do dia em que se
olharam profundamente, separados por um vidro de janela. Não existiam
palavras para o momento, e no silêncio acabavam de se entender.
Não havia mais o que esperar. Os lábios se encontraram em um beijo
apaixonado, as luzes se acenderam e alguém gritou: “Corta!”.
O Homem de Terno
Esquiva-se do banco poluído rumo às lojas.
Compra e derrama esnobe intelecto,
Olha para o teto ao falar com o suburbano.
Inútil vida de consumismos!
Preferes morrer diante dos obstáculos.
Deverias ser exemplo no teu negócio,
Porém grita de temor perante à realidade.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Paladar
Com uma dose de incerteza,
Depois uma fatia de torta de limão.
Mais tarde tentei tomar juízo,
Mas só me coube o ímpeto,
O ímpeto de telefonar.
Mastiguei uma certa dúvida
Que nada tinha de bom.
Bebi uma vontade de ouvir,
Ouvir aquela voz doce
Mas que agora está tão longe
Me causando indigestão.
Ah, essa cabeça num turbilhão!
Acho que vou comer atenção.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Foi Assim
tons punks misturados ao quase brega.
Pouco antes de sair pensei "vou até lá pra exercer o desapego".
É, o desapego de uma pessoa, pois parece ser mais fácil quando se trata
de objetos, meros objetos que se usa e joga fora. Nem sempre.
No meio de tanta gente e tantos rostos sem graça, acabo por me penetrar até a alma
naqueles olhos já conhecidos, e a festa mal começara.
Justamente quem eu não queria ver, e cogitei ser impossível sua presença.
Porém a vida prega as tais peças, que vêm sem anúncio algum, somente para
surpreender quem não quer ser surpreendido.
Após um breve cumprimento, sem mais delongas, no hálito e voz que outrora gemera e
dissera bobagens boas, agora havia uma distãncia bem longa, quase inatingível.
Adentrou-se no recinto com um amigo, enquanto eu esperava pelos meus lá fora.
Inevitavelmente e amaldiçoadamente, senti que a noite acabara ali, e logo aquelas
lembranças, após tanta insistência, conseguiram passar diante dos meus olhos.
Lembrei de tudo. Mas isso era óbvio, pois estava justamente no lugar onde nos conhecemos, e onde demos o primeiro beijo.
Após certa espera, entrei para a festa, e logo vi a tal camiseta do Amon Amarth
apontando pra lá e pra cá na escuridão, procurando o que estava procurando no dia
em que me conheceu. Mas agora iria conhecer outras, e senti
que aquele jogo de luxúria acabaria ali, na minha frente, se é que já não havia acabado há muito tempo e eu que não percebi.
Subi as escadas, e a cada degrau me pesava mais uma lembrança, do ônibus à noite,
daqueles abraços quentes, da falsa sensação de amparo...
Lá de cima via corpos se chocando, outros se agarrando num afago quase que emergencial, e de novo a tal camiseta surgia no breu, apenas iluminada
pelos canhões de luzes coloridas.
Minha vontade era de descer correndo as escadas, encostá-lo na parede e dizer tudo o que estava entalado, depois tascar-lhe um beijo fogoso, tentando carregar aquele corpo pra um canto deserto onde eu pudesse despir todas aquelas dúvidas e lembranças.
Mas era só desejo, que meu orgulho impedia de realizar.
Após tantas frustrações, decidi abandonar aquela sessão de tortura e ir para o meu
lar, aconchegar-me nas cobertas, já que não pude me aconchegar nos braços de alguém.
Fui caminhando em passos descompassados até o centro da cidade, indo pela Mostardeiro
tão deserta e melancólica, assim como meus pensamentos.
Junto do meu amigo com papo de bêbado, já que a festa era "open bar", fui declamando
dores de cotovelo e juras de nunca mais me entregar.
A falsidade sempre se fez presente, e sentada no meio-fio, esperando o circular das
cinco e quinze da manhã, me vejo ao lado da tal camiseta, tão nítida quanto os olhos
que me encaravam e esperavam qualquer reação.
Assim como a falsidade, a burrice também sempre se fez presente, e ali, diante de
bêbados vindos dos mais variados botecos do centro, junto com jovens boêmios,
mergulhei num beijo, mesmo sabendo que nada era como antes.
Fomos juntos, sentados lado a lado no banco daquele ônibus cansado, de mãos dadas
como velhos namorados, sendo que nem mesmo fomos amantes, nem sei definir o que fomos.
Ele dormindo no meu ombro, e eu olhando para a Farrapos com suas donas noturnas,
sem sono algum me perturbando.
Logo estávamos perto de casa, eu o acordei e ele me deu um beijo de despedida, que
parecia tão quente e recíproco, mas mal sabia eu que era um adeus.
Fiquei com o gosto de Mentos na boca, lambendo os lábios, olhando para as pessoas
do ônibus, algumas vindas do trabalho, outras do festerê.
O dia começava a clarear. Dei o sinal e desci. Abri o portão, entrei em casa, deitei
e continuei pensando. Nada daquilo tudo estava certo, e mais cedo ou mais tarde a
bomba iria estourar.
E estourou.