Eu, nesse momento, acabo de ordenar meu coração
a ser mais duro que uma rocha.
São tantos jogos, tantos golpes, tantos obstáculos.
Quer saber? Você, coração, é mole demais, e serve
muito de tapete para os pés alheios.
Sempre procurando esse tal de amor, e só encontrando
migalhas de paixão.
Acha que nada lhe serve, nada pode preencher esse
vazio que tanto lhe incomoda, por anos e anos.
Mas eu, sua dona, cansei de tomar as dores por você.
Você escolhe sempre as pessoas erradas, e quando
escolho uma certa você vem dizer que não é boa
ideia.
Faço de tudo pra agradar, mas você não se contenta
com o que tenho a oferecer.
Por isso a partir de agora você vai estudar na
escola Jogo de Sedução, e aprender a ser forte na
marra.
Nada de me fazer chorar, nada de me fazer sofrer
quando eu levar um fora, afinal você também irá
aprender a fazer isso.
E quando o fora acontecer, você será tão forte que
me fazer virar as costas será uma atividade tão
prazerosa quanto brincar com o sentimento alheio.
Aliás, coração, a partir de hoje você não mora mais
aqui por um bom tempo.
Quando eu precisar, prometo que lhe chamo!
Adeus.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Caminhada na Chuva
Hoje, ao olhar pela janela, percebi que havia uma vontade dentro de mim.
As gotas de chuva caiam vertiginosamente, um pequeno frio havia se
instalado na cidade, e tudo estava muito silencioso.
Era cedo quando a chuva começou, mas ela prosseguiu até à noite, e só
então eu descobri a minha vontade: caminhar na chuva.
Calcei meu velho tênis e saí sem guarda chuva.
A passos lentos fui vendo o quanto as ruas são desertas em dias chuvosos,
e não se ouve qualquer latido dos cães que costumam fazer farra
em noites de luar.
Vejo as luzes acesas por entre as janelas, e imagino que dentro daquelas
casas há um aconchego, talvez um casal de namorados se abraçando no sofá,
ou um solitário ancião alisando seu gato.
Sinto cheiro de bolinho frito, e imagino uma querida vovó mandando seus netos
não mexerem no prato, enquanto ela passa um bolinho de cada vez no açucar
com canela.
Continuo com minha caminhada solitária, e vejo que um pobre cão começa a
me acompanhar.
Vejo em seus olhos a tristeza de ser um abandonado, sem ter um pano velho
pra se enrolar e dormir.
Suas costelas denunciam a fome, mas mesmo assim ele cria forças pra me
acompanhar, talvez tentando pedir pra que eu o leve para casa.
Porém minha casa é tão vazia quanto seu estômago, e é apenas casa,
não um lar.
As gotas de chuva caiam vertiginosamente, um pequeno frio havia se
instalado na cidade, e tudo estava muito silencioso.
Era cedo quando a chuva começou, mas ela prosseguiu até à noite, e só
então eu descobri a minha vontade: caminhar na chuva.
Calcei meu velho tênis e saí sem guarda chuva.
A passos lentos fui vendo o quanto as ruas são desertas em dias chuvosos,
e não se ouve qualquer latido dos cães que costumam fazer farra
em noites de luar.
Vejo as luzes acesas por entre as janelas, e imagino que dentro daquelas
casas há um aconchego, talvez um casal de namorados se abraçando no sofá,
ou um solitário ancião alisando seu gato.
Sinto cheiro de bolinho frito, e imagino uma querida vovó mandando seus netos
não mexerem no prato, enquanto ela passa um bolinho de cada vez no açucar
com canela.
Continuo com minha caminhada solitária, e vejo que um pobre cão começa a
me acompanhar.
Vejo em seus olhos a tristeza de ser um abandonado, sem ter um pano velho
pra se enrolar e dormir.
Suas costelas denunciam a fome, mas mesmo assim ele cria forças pra me
acompanhar, talvez tentando pedir pra que eu o leve para casa.
Porém minha casa é tão vazia quanto seu estômago, e é apenas casa,
não um lar.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Socorro
O que eu faço carregada com meus medos e incertezas?
Nessa fase tão perplexa eu até prefiria ser homem
e estar no exército a ficar na companhia da solidão.
Que contradição essa frase.
Bem entendo que tudo poderia estar bem melhor, mas
sinto meu coração tão fraco, e mal reabilitado já
se foi outra vez.
Estou tentando não cair novamente, estou tentando
acreditar que foi mais uma coincidência.
Não adianta eu falar, não adianta eu gritar a plenos
pulmões, eu sei que ninguém vai vir me socorrer.
Está tudo errado, e eu não consigo consertar nada.
Por favor, alguém me tire daqui...
Nessa fase tão perplexa eu até prefiria ser homem
e estar no exército a ficar na companhia da solidão.
Que contradição essa frase.
Bem entendo que tudo poderia estar bem melhor, mas
sinto meu coração tão fraco, e mal reabilitado já
se foi outra vez.
Estou tentando não cair novamente, estou tentando
acreditar que foi mais uma coincidência.
Não adianta eu falar, não adianta eu gritar a plenos
pulmões, eu sei que ninguém vai vir me socorrer.
Está tudo errado, e eu não consigo consertar nada.
Por favor, alguém me tire daqui...
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