Agora a chuva vem impiedosa.
Lava-me a alma, levando os rastros de remorso do que eu não fiz.
Sim, eu gostaria de segui-lo até o horizonte envolto no véu negro da noite, gostaria que nos banhássemos no mar sob a tórrida chuva, deixando as ondas revoltas nos surrarem com sua ira.
Mas estamos aqui, deitados na grama, olhando para o céu cinzento, e mal consigo abrir os olhos pois as gotas de chuva insistem em penetrá-los.
É tão incômodo quanto o que eu sinto agora, só que na minha mente.
"Venha, vamos fugir". Não, eu não posso te dizer isso.
Não há outra saída se não ficar aqui deitada ao teu lado, tentando adivinhar o que se passa nessa cabeça envolta por fios de ouro.
Poderíamos abrir a boca e falar, seria bem mais fácil, mas aqueles bandidos fugiram e esqueceram de tirar essa fita de nossas bocas...