quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
The fat is coming, again...
Quando estou caminhando pra algum lugar, a vontade de me sentar no meio do caminho e ficar ali até quando Deus quiser é imensa, vontade de apenas sentar e não sair mais dali, pensar em tudo que já pensei milhões de vezes, não querer enfrentar a rotina que me espera a cada dia.
Porém preciso ir ao encontro dela e contabilizar mais um dia na minha vida, mais um dia que deixei passar sem fazer as coisas que realmente quis, ou ao menos dar início a elas.
O fato de também ter que enfrentar espelhos por todos os lados me decepciona, pois não quero ver que estou voltando a ser aquela pessoa de anos atrás, a qual lutei incansavelmente para combater, mas ela está voltando, voltando, nas calças, no espelho, na fome, até no pensamento!
Já deixei duas calças de lado que não cabem mais nessa pessoa que vos fala, pois, sem saber de nada, essa tal pessoa de anos atrás voltou para um "vale a pena ver de novo" sem ser convidada.
Enfim, to sem vontade de nada, simplesmente nada.
Que maravilha seria se eu pudesse dormir por um dia seguido e acordar revigorada, acordar do jeito que quero ficar, acordar com a energia de uma criança ativa, somente me preocupando com brincar, correr, cair e ralar o joelho.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
A revolta de Nestor
- Pois esse país tem tantos donos, até mesmo dizem que Deus nasceu aqui, mas ninguém quer assumir a culpa da nossa desigualdade, da nossa civilização!
As beatas se aglomeram ao redor da igreja, vendo o que lhes parece um louco em pleno surto, falando com o vento.
Nestor até lembra Moisés, com uma barba comprida, grisalha, roupas em trapos, até um cajado leva na mão direita, apontando aos céus ao proferir suas palavras revolucionárias.
- Quero um mundo melhor pra mim, pra todos nós, para que todos possam viver em harmonia, sem saber o que é um mendigo, o que é um morador de rua, o que é passar fome!
E a multidão apoiadora vem se achegando aos gritos, mesmo sem saber quem é tal pessoa que discursa com fervor e objetividade, enquanto que os céticos olham com curiosidade, alguns até sugerindo que liguem para o sanatório.
- Eu sou Nestor! Eu sou cidadão! Eu tenho meus direitos de lutar por um país melhor!
A multidão vibra, os trabalhadores param seus afazeres e debruçam-se na janela para ver quem provoca tamanho furor, os chefes já começam a ordenar que voltem para seus lugares.
- Alô, é do sanatório Santo Onofre? Você está ouvindo esses gritos? Pois é, acho que tem um louco promovendo uma rebelião aqui na Praça dos Estados, na frente da igreja Santa Doroteia. - ligou um indíviduo descrente que uma pessoa poderia expor sua opinião em público.
Logo o carro do sanatório veio chegando, os enfermeiros desceram e se dirigiram a Nestor sem proferir uma palavra, agarraram-lhe pelo braço.
- Quem são vocês? Me soltem! Eu estou dizendo a verdade para todos, nós não podemos nos calar!
Sem se manifestarem, os enfermeiros o levam arrastado, abrindo caminho no meio da multidão que tentava puxar Nestor para a liberdade, para o direito de opinar, mas não conseguiram, e o quase profeta se foi dentro do carro.
No entanto Nestor deixou suas palavras para o mundo, mesmo sabendo que elas seriam esquecidas, e que o povo não lutaria na mesma causa que ele por pura conveniência e medo. Tantos outros como ele apanharam, morreram, foram dados como loucos, hereges, anarquistas, rebeldes sem causa, e foram julgados por quererem lutar pelo direito de todos, onde muitos desses todos acham que a situação está boa e que não é preciso tomar uma atitude.
Será que você faz parte dessa maioria ou apoia Nestor?
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Natal sem graça
Será apenas mais um final de ano, cheio de festas, presentes, fogos de artifício, comidas e pessoa sendo boazinha com todo mundo, só que mesmo que eu repudie essa ideia de que Natal e Ano Novo sejam sinônimos de presentes e falsas amizades, eu sinto falta da época em que ainda rolava alguma coisa aqui em casa.
Do que mais sinto falta é a casa cheia, as piadas, as risadas e brincadeiras, tudo o que existia de bom em um encontro de família. No entanto o Natal, de uns anos pra cá, não passa de um peru assado com a obrigação de presente, presente e presente. Aquela alegria de estar junto com os primos, tios, irmãos, fazendo farra até altas horas não existe mais, nem mesmo a empolgação por parte da minha mãe de fazer alguma coisa. Talvez por ela poderia ser mais um dia sem ninguém por aqui.
Às vezes me pego pensando se terei que esperar uns bons anos para eu mesma ter minha família e poder reuni-los como fazia na minha infância.
Cada um foi pro seu lado, os tios perderam a vontade por estarem envelhecendo, e esse vai ser mais um fim de ano sem graça. Conforme os anos passam, parece até que o número de fogos de artifício diminui, não chega nem a cinco minutos de "comemoração do nascimento de Jesus (como se ele tivesse nascido exatamente nessa data, e como se todo mundo realmente comemorasse isso. acho que muitos nem sabem o real sentido do Natal)".
Enfim, mais uma vez dezembro, mais uma vez minha mãe reclamando de ter que assar peru e fazer salada pra uma miséria de gente, mais uma vez aquele "feliz natal, tudo de bom!", mais uma vez a nostalgia.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Apenas por enquanto
"...mas nada vai conseguir mudar o que ficou. Quando penso em alguém só penso em você, e aí então estamos bem.
Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está, nem desistir, nem tentar, agora tanto faz, estamos indo de volta pra casa."(Por Enquanto - Legião Urbana)
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Cansaço
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Em memória
Luane era seu nome, nem mesmo eu sei porque me comovi tanto ao ler sobre esse caso, tão pouco sei porque senti o coração bater mais forte, num súbito sentimento de tristeza, quando li a notícia de que a encontraram morta tão longe de casa, ao lado da arma que lhe tirara a vida.
Imagino seus sentimentos de solidão, de fobia às pessoas quando decidiu ir para um lugar talvez sem motivo algum de ser o objetivo de seu destino. A sensação de vazio e os olhos fixos em um ponto não específico do céu, os motivos que a levaram até ali, os dias que antecederam o seu adeus definitivo.
Não há respostas, e pairam no ar apenas as perguntas, que somente ela poderia responder por saber qual era realmente a sua tristeza em relação à vida, às pessoas, ao amor.
Eu não a conheci, mas deixo aqui minha singela homenagem.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
To cansada...
É o que me pergunto quase todos os dias, e nesse exato momento o que eu mais queria era dormir e saber que vou acordar no outro dia pronta para a minha aula de desenho.
Minha aula de desenho não existe.
Minhas mãos tão hábeis com o lápis parecem ter se aposentado, mas imploram por uma oportunidade de voltar a fazer o que tanto gostam.
Eu preciso fazer o que gosto!
Quero ser feliz, quero ser como pintores realistas e desenhar a face do meu amor...
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
O que realmente é importante?
Porém eu não quero isso pra mim.
Sou uma profissional do ramo da informática, e vocês devem saber como é a vida das pessoas que escolhem esse caminho. Lamentavelmente eu escolhi esse caminho aos dezenove anos. Não que à época de tal fato eu tenha feito isso por pura paixão pela informática, mas foi a triste decisão de fazer algum curso e ganhar alguma renda, ou optar por fazer o que realmente gostava e permanecer dependente da minha mãe por mais uns bons anos.
Enfim, hoje estou vivendo a minha escolha. Conheci muitas pessoas bacanas durante esse tempo, e também conheci pessoas que por causa da programação intensa, acabaram envelhecendo alguns anos. Isso tudo por causa de noites mal dormidas por "ter de terminar um sistema até tal dia", por comer lanches rápidos e muitas vezes de má qualidade, por não saberem mais o que é tirar um dia de descanso para passearem.
Uma dessas pessoas é mais jovem que eu e aparenta ter mais de trinta anos, já está ficando careca e tudo o mais.
Eu me pergunto se isso tudo é realmente necessário para que alguém possa ter uma renda apropriada para a sobrevivência e conforto. Friso isso pois muitas dessas pessoas querem enriquecer, ficar milionárias, talvez virar um Bill Gates da vida, mas pra quê?
Digamos que eles consigam o primeiro milhão, porém vão querer mais, mais, mais...
E quando eles acharem que está bom, vão estar velhos e doentes pela má qualidade de vida. Vão aproveitar o quê?
Tudo bem, posso estar sendo radical, e por um lado até é, mas é assim que eu vejo e não há outro objetivo pra essa loucura toda que não seja o maldito dinheiro. É um mal necessário, como dizem, mas muita gente leva isso ao extremo e abdica da vida que existe fora do escritório.
Até hoje eu não consegui compreender porque muitos se deixam levar pela promessa do dinheiro em abundância. Concordo que seja frustrante querer algo (e falo de objetos), que há tanto tempo se deseja comprar, mas não ter dinheiro pra isso. Porém que benefício e satisfação isso irá me trazer? É algo totalmente momentâneo.
Podem achar que sou careta, antiga, velha de mente, seja lá o que for, mas eu gosto de admirar as pequenas coisas, por mais ínfimas que elas sejam. Gosto de caminhar por lugares novos e curtir aquela sensação de "desbravamento", e nessas horas eu até abandono o ônibus e vou a pé, mesmo que a distância seja longa, mas eu tenho pernas e por que não usá-las?
Eu tenho sim um objetivo na vida, e esse objetivo nunca foi ser uma empresária de sucesso ou uma grande mente da informática. Nunca soube ao certo o que eu queria ser quando crescesse, ao longo da minha adolescência fui trocando de ideia, pesando os prós e contras (e nesse momento comecei a usar o lado errado que existe em mim), mas hoje vejo que desde pequena eu sabia o que queria. Apenas não sabia ao certo que nome tinha.
Vejo meus desenhos, minhas poesias e desabafos, e, sim, eu sempre quis ser artista. Não artista de televisão, mas a artista que mostra sua alma em cada obra criada.
Talvez seja a hora de correr atrás daquilo que quero.
A questão da "include, class, method, char, float, double, boolean, vetor, pointer, array, push, pop" não me cabe mais. São três anos (pouco tempo, eu sei) tendo que engolir isso tudo como se tivesse que comer jiló sem gostar. É pouco tempo de informática, mas pra quem não gosta, isso se torna uma eternidade.
Eu reconheço que é essa profissão que me sustenta, a faço com a maior dedicação possível, mas isso nunca foi meu sonho de carreira. Sempre gostei de arte, nas aulas de educação artística na escola sempre tirava notas altas, e nunca, nunca ninguém me ensinou o que sei sobre desenhos.
Pra quem não acredita em dom, ta aí a prova disso.
E pra quem vir me dizer que até mesmo pra se alcançar aquilo que se quer, ou pra apenas se divertir é preciso de dinheiro, muito dinheiro, olhe o filme Na Natureza Selvagem e tire suas conclusões.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Vida X Problemas
As coisas mais simples que poderiam ser resolvidas em um racicínio rápido e fácil, são esticadas no limiar de sua dificuldade, assim como uma massa de pastel caseira é esticada sobre a mesa.
A resposta é simples: a produção de problemas é proporcional ao tempo ocioso.
Quanto mais tempo livre, mais problemas deve-se produzir, ou que graça teria uma empresa onde todos os funcionários ficassem parados, olhando besteiras na internet, esperando que o apocalipse ocorresse para que uma providência fosse tomada?
Lucro algum teria, então é preciso que os problemas sejam fabricados. Até consultor de produção de problemas já tem.
E assim a vida segue, o relógio toca de manhã para mais uma jornada, vou trabalhar nos meus problemas para ganhar meu dinheirinho, o qual é a raiz de todos os problemas.
Santa contradição!
Quando aquilo foi dito....
Foi como se meu estômago tivesse sido bloqueado por uma barreira quase intransponível, me dando ânsia e vontade de sair correndo, chutando tudo que visse pela frente, pra despejar toda a minha raiva, que em uma escala de 0 a 10, foi à 15 em 5 segundos.
Mas a explicação não me pareceu convincente, muito menos tolerável pelo grau de raiva que atingiu meu corpo.
Fui casada, compromissada, namorada, eternizada durante alguns meses, enquanto que meu provável par não foi sequer namorado.
Grande tolinha!
Essa foi a melhor pegadinha de todos os tempos.
domingo, 19 de junho de 2011
610 km
Ela não pode existir para o que eu sinto, que é um sentimento que me toma,
me deixa extasiada e fora de mim.
Como definir aquilo que chega sem avisar, monta morada e faz o coração
apertar aos pouquinhos?
É uma vontade de ter, mesmo sabendo que ele está tão longe, mas o que compensa
é saber que nossas almas se encontram no lugar mais lindo desse mundo
quando sonhamos.
Sei que tenho você junto de mim, e seja onde você for, não me preocupo,
pois estarei lá com você, nos seus sonhos.
Nesse momento o que posso dizer de mais importante é que somos surpreendidos
quando menos esperamos.
É algo que não tem como explicar, mas que vem para melhorar a vida
em todos os sentidos.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Sonhar Parece Insano
quando você vem me falar sobre tudo que já sei.
Porém não é a primeira, nem a segunda, muito menos a terceira vez que
me adverte sobre os riscos da vida, os riscos que corro ao viver como
se não me importasse com o que virá.
Pois eu bem penso "deixe vir e vamos ver no que dá", ao passo que
você pensa "deixe vir e vamos pensar no que vai dar".
É uma insanidade da minha parte que contrasta com a sua sanidade
excessiva.
Talvez eu tivesse lhe dado um convite, sem local, nem horário,
apenas convidando para viver comigo a minha insanidade, a minha
vontade reprimida de sair por aí olhando tudo, caminhando pelas ruas
com os olhos fixados no céu, pois meu convite inclui uma passeada
por aquilo que vemos todos os dias, mas que não observamos.
Especifiquei, em letras grifadas e grandes, que o embarque nessa
aventura ficaria por conta e risco do convidado, e que se ele viesse,
seria para esquecer que alguma sanidade existia.
Não prenda a borboleta naquele jarro tão limitado, pois ela vive tão
pouco, e o seu único desejo é poder voar...
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Ensinando o Coração
a ser mais duro que uma rocha.
São tantos jogos, tantos golpes, tantos obstáculos.
Quer saber? Você, coração, é mole demais, e serve
muito de tapete para os pés alheios.
Sempre procurando esse tal de amor, e só encontrando
migalhas de paixão.
Acha que nada lhe serve, nada pode preencher esse
vazio que tanto lhe incomoda, por anos e anos.
Mas eu, sua dona, cansei de tomar as dores por você.
Você escolhe sempre as pessoas erradas, e quando
escolho uma certa você vem dizer que não é boa
ideia.
Faço de tudo pra agradar, mas você não se contenta
com o que tenho a oferecer.
Por isso a partir de agora você vai estudar na
escola Jogo de Sedução, e aprender a ser forte na
marra.
Nada de me fazer chorar, nada de me fazer sofrer
quando eu levar um fora, afinal você também irá
aprender a fazer isso.
E quando o fora acontecer, você será tão forte que
me fazer virar as costas será uma atividade tão
prazerosa quanto brincar com o sentimento alheio.
Aliás, coração, a partir de hoje você não mora mais
aqui por um bom tempo.
Quando eu precisar, prometo que lhe chamo!
Adeus.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Caminhada na Chuva
As gotas de chuva caiam vertiginosamente, um pequeno frio havia se
instalado na cidade, e tudo estava muito silencioso.
Era cedo quando a chuva começou, mas ela prosseguiu até à noite, e só
então eu descobri a minha vontade: caminhar na chuva.
Calcei meu velho tênis e saí sem guarda chuva.
A passos lentos fui vendo o quanto as ruas são desertas em dias chuvosos,
e não se ouve qualquer latido dos cães que costumam fazer farra
em noites de luar.
Vejo as luzes acesas por entre as janelas, e imagino que dentro daquelas
casas há um aconchego, talvez um casal de namorados se abraçando no sofá,
ou um solitário ancião alisando seu gato.
Sinto cheiro de bolinho frito, e imagino uma querida vovó mandando seus netos
não mexerem no prato, enquanto ela passa um bolinho de cada vez no açucar
com canela.
Continuo com minha caminhada solitária, e vejo que um pobre cão começa a
me acompanhar.
Vejo em seus olhos a tristeza de ser um abandonado, sem ter um pano velho
pra se enrolar e dormir.
Suas costelas denunciam a fome, mas mesmo assim ele cria forças pra me
acompanhar, talvez tentando pedir pra que eu o leve para casa.
Porém minha casa é tão vazia quanto seu estômago, e é apenas casa,
não um lar.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Socorro
Nessa fase tão perplexa eu até prefiria ser homem
e estar no exército a ficar na companhia da solidão.
Que contradição essa frase.
Bem entendo que tudo poderia estar bem melhor, mas
sinto meu coração tão fraco, e mal reabilitado já
se foi outra vez.
Estou tentando não cair novamente, estou tentando
acreditar que foi mais uma coincidência.
Não adianta eu falar, não adianta eu gritar a plenos
pulmões, eu sei que ninguém vai vir me socorrer.
Está tudo errado, e eu não consigo consertar nada.
Por favor, alguém me tire daqui...
sábado, 29 de janeiro de 2011
Querer e não poder
Pular a janela da minha mente, nem pensar.
As grades dos pensamento impedem.
Porém eu continuo aqui, incansável na minha espera,
espero tanto, nem sei pelo quê.
Vejo o sol se pôr no horizonte, sinto cada milímetro
do meu corpo ser tomado pela sombra.
Mas eu sei que logo vem a lua, mesmo sabendo que
ela esteve lá esse tempo todo, e eu não percebi.
Tento a cada dia me libertar dessa solidão, mas lá
na rua não há ninguém, ninguém que possa me completar.
Preciso daquela pessoa, e somente dela.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Domingo chato
e pra lembrar que meu aniversário passou em branco.
Vi meu ex com outra mulher,
minha mãe continua no hospital,
não passei no vestibular.
Conto as horas pra fazer não sei o que,
mas continuo contando.
O que me aguarda mais adiante eu não sei,
mas vai chegar o dia que vou olhar pra todos
e dizer tudo o que não pude falar no meu momento
de raiva e mágoa.
É, a poetisa também tem seu lado menos fantasioso.
A poetisa também sofre por tudo e por todos,
e tudo isso pra apenas ser feliz.
Só que eu cansei de só ser acusada como a vilã da
história, e cansei mais ainda de ter que receber
conselhos masculinos.
Meu orgulho se feriu ao máximo, e com certeza quem
o feriu não é capaz de entender o que se passa numa
mente feminina.
Acho que nem se dá ao trabalho de entender.
Porém não vou me restringir apenas aos homens, pois eles
não são o único motivo da minha revolta.
O mínimo que eu gostaria de ter agora, nesse domingo fatídico,
seria o amor maternal, mas minha mãe não está aqui.
Ei, você que tem uma mãe que ainda pode passear, correr
e caminhar por longas distâncias, aproveite essa dádiva.
Ei, você que tem alguém especial como companheiro ou
companheira, cuide bem.
Antes que alguém pergunte qual é o sentido do que escrevi,
digo que não é pra ter sentido, pois eu apenas abri esse blog
e coloquei pra fora o que estava me consumindo.
Nem sempre o que se escreve é pra ser entendido.
Talvez ninguém leia isso mesmo...
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Folder do Rock de Garagem

"Às vinte e três horas,
Na república,
Onde existe vibração,
E o sofá é estreito
Pra o casal se amassar."
Ali no canto eu vejo bebidas,
Mas a confusão não me deixa ir,
É a mistura da luz baixa,
E o rock ac/dc.
Minhas lembranças partem
Com as notas e refrão,
Não preciso de mais nada,
Me satisfaz a diversão.
Às vinte e três horas,
Na república ,
Na república,
O tablado pode não aguentar
Insanidade corporal
Bumbos e pratos,
Baquetas ao ar.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Aniversário
Anuário,
Quase aquário.
Mas é capricórnio,
Bem teimoso,
Quase inglório.
São dois patinhos,
Nadando ao infinito,
Errando o caminho.
E eu vou junto,
No embalo do vinte e três,
domingo, 16 de janeiro de 2011
Estou tentando...
Talvez eu possa entender o porque daquelas doze horas
de sumiço e desespero, aquelas doze horas de aflição
esperando por algum sinal.
Agora bem entendo que tudo não passou de excessiva
dedicação a uma pessoa, tão estranha pra mim
quanto conhecida pra você.
Reconheço que mais uma vez fracassei na minha
luta, e agora, como não sentir saudade daquilo
que não pude viver?
sábado, 15 de janeiro de 2011
Idade Mental
São apenas hormônios a mil,
Erupções de pele,
Pelos na pele,
Mas são bem desenvolvidos.
Pensam nas alegrias,
Felizes estão na bagunça,
Sem compromisso com palavras,
Nada é assim tão sério,
Mas eles são bem desenvolvidos.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Untitled
Nada mais se ajusta aos meus desejos,
E eu tento encontrar nas pessoas algo conhecido,
Um lugar eterno para repousar e pensar.
Sem mais hesitações, sem receios,
Eu acredito que posso me realizar
Nos mais breves abraços,
Nos mais esquecidos sentidos,
Para me chamarem de careta,
Ser rotulada de bizarra.
Mas a vida vai passando tão rápida,
E pensar pode levar um segundo,
Tudo se transforma em anos luz
E se reduz aos dias em que fiquei no escuro
À espera daquilo que me transformasse.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Script
No silêncio, na escuridão, ouviam-se apenas os passos de alguém
que se aproximava calmamente. Parecia estar conhecendo o lugar
onde pisava, esperando encostar naquilo que realmente queria:
uma pele suave, a qual desejava há tanto tempo.
Caminhou mais um pouco, até que sentiu uma respiração tranqüila,
e mal dava pra ouvir o ar saindo e entrando. Aproximou-se mais, e
quando não pôde mais evitar, abraçou-a, entrelaçando seus braços em
sua cintura, e ela envolvendo seu pescoço com seus braços.
Não podiam observar um ao outro, apenas lembravam do dia em que se
olharam profundamente, separados por um vidro de janela. Não existiam
palavras para o momento, e no silêncio acabavam de se entender.
Não havia mais o que esperar. Os lábios se encontraram em um beijo
apaixonado, as luzes se acenderam e alguém gritou: “Corta!”.
O Homem de Terno
Esquiva-se do banco poluído rumo às lojas.
Compra e derrama esnobe intelecto,
Olha para o teto ao falar com o suburbano.
Inútil vida de consumismos!
Preferes morrer diante dos obstáculos.
Deverias ser exemplo no teu negócio,
Porém grita de temor perante à realidade.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Paladar
Com uma dose de incerteza,
Depois uma fatia de torta de limão.
Mais tarde tentei tomar juízo,
Mas só me coube o ímpeto,
O ímpeto de telefonar.
Mastiguei uma certa dúvida
Que nada tinha de bom.
Bebi uma vontade de ouvir,
Ouvir aquela voz doce
Mas que agora está tão longe
Me causando indigestão.
Ah, essa cabeça num turbilhão!
Acho que vou comer atenção.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Foi Assim
tons punks misturados ao quase brega.
Pouco antes de sair pensei "vou até lá pra exercer o desapego".
É, o desapego de uma pessoa, pois parece ser mais fácil quando se trata
de objetos, meros objetos que se usa e joga fora. Nem sempre.
No meio de tanta gente e tantos rostos sem graça, acabo por me penetrar até a alma
naqueles olhos já conhecidos, e a festa mal começara.
Justamente quem eu não queria ver, e cogitei ser impossível sua presença.
Porém a vida prega as tais peças, que vêm sem anúncio algum, somente para
surpreender quem não quer ser surpreendido.
Após um breve cumprimento, sem mais delongas, no hálito e voz que outrora gemera e
dissera bobagens boas, agora havia uma distãncia bem longa, quase inatingível.
Adentrou-se no recinto com um amigo, enquanto eu esperava pelos meus lá fora.
Inevitavelmente e amaldiçoadamente, senti que a noite acabara ali, e logo aquelas
lembranças, após tanta insistência, conseguiram passar diante dos meus olhos.
Lembrei de tudo. Mas isso era óbvio, pois estava justamente no lugar onde nos conhecemos, e onde demos o primeiro beijo.
Após certa espera, entrei para a festa, e logo vi a tal camiseta do Amon Amarth
apontando pra lá e pra cá na escuridão, procurando o que estava procurando no dia
em que me conheceu. Mas agora iria conhecer outras, e senti
que aquele jogo de luxúria acabaria ali, na minha frente, se é que já não havia acabado há muito tempo e eu que não percebi.
Subi as escadas, e a cada degrau me pesava mais uma lembrança, do ônibus à noite,
daqueles abraços quentes, da falsa sensação de amparo...
Lá de cima via corpos se chocando, outros se agarrando num afago quase que emergencial, e de novo a tal camiseta surgia no breu, apenas iluminada
pelos canhões de luzes coloridas.
Minha vontade era de descer correndo as escadas, encostá-lo na parede e dizer tudo o que estava entalado, depois tascar-lhe um beijo fogoso, tentando carregar aquele corpo pra um canto deserto onde eu pudesse despir todas aquelas dúvidas e lembranças.
Mas era só desejo, que meu orgulho impedia de realizar.
Após tantas frustrações, decidi abandonar aquela sessão de tortura e ir para o meu
lar, aconchegar-me nas cobertas, já que não pude me aconchegar nos braços de alguém.
Fui caminhando em passos descompassados até o centro da cidade, indo pela Mostardeiro
tão deserta e melancólica, assim como meus pensamentos.
Junto do meu amigo com papo de bêbado, já que a festa era "open bar", fui declamando
dores de cotovelo e juras de nunca mais me entregar.
A falsidade sempre se fez presente, e sentada no meio-fio, esperando o circular das
cinco e quinze da manhã, me vejo ao lado da tal camiseta, tão nítida quanto os olhos
que me encaravam e esperavam qualquer reação.
Assim como a falsidade, a burrice também sempre se fez presente, e ali, diante de
bêbados vindos dos mais variados botecos do centro, junto com jovens boêmios,
mergulhei num beijo, mesmo sabendo que nada era como antes.
Fomos juntos, sentados lado a lado no banco daquele ônibus cansado, de mãos dadas
como velhos namorados, sendo que nem mesmo fomos amantes, nem sei definir o que fomos.
Ele dormindo no meu ombro, e eu olhando para a Farrapos com suas donas noturnas,
sem sono algum me perturbando.
Logo estávamos perto de casa, eu o acordei e ele me deu um beijo de despedida, que
parecia tão quente e recíproco, mas mal sabia eu que era um adeus.
Fiquei com o gosto de Mentos na boca, lambendo os lábios, olhando para as pessoas
do ônibus, algumas vindas do trabalho, outras do festerê.
O dia começava a clarear. Dei o sinal e desci. Abri o portão, entrei em casa, deitei
e continuei pensando. Nada daquilo tudo estava certo, e mais cedo ou mais tarde a
bomba iria estourar.
E estourou.