sábado, 19 de fevereiro de 2011

Caminhada na Chuva

Hoje, ao olhar pela janela, percebi que havia uma vontade dentro de mim.
As gotas de chuva caiam vertiginosamente, um pequeno frio havia se
instalado na cidade, e tudo estava muito silencioso.
Era cedo quando a chuva começou, mas ela prosseguiu até à noite, e só
então eu descobri a minha vontade: caminhar na chuva.
Calcei meu velho tênis e saí sem guarda chuva.
A passos lentos fui vendo o quanto as ruas são desertas em dias chuvosos,
e não se ouve qualquer latido dos cães que costumam fazer farra
em noites de luar.
Vejo as luzes acesas por entre as janelas, e imagino que dentro daquelas
casas há um aconchego, talvez um casal de namorados se abraçando no sofá,
ou um solitário ancião alisando seu gato.
Sinto cheiro de bolinho frito, e imagino uma querida vovó mandando seus netos
não mexerem no prato, enquanto ela passa um bolinho de cada vez no açucar
com canela.
Continuo com minha caminhada solitária, e vejo que um pobre cão começa a
me acompanhar.
Vejo em seus olhos a tristeza de ser um abandonado, sem ter um pano velho
pra se enrolar e dormir.
Suas costelas denunciam a fome, mas mesmo assim ele cria forças pra me
acompanhar, talvez tentando pedir pra que eu o leve para casa.
Porém minha casa é tão vazia quanto seu estômago, e é apenas casa,
não um lar.

Um comentário:

  1. você fala o que vive, ou fala o que sente?
    e sim, tudo o que se escreve é lido.

    ResponderExcluir