quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

The fat is coming, again...

Esses últimos dois dias não têm sido fáceis. Cada vez mais eu me aproximo de um limite desconhecido, tomada por medo e tristeza.
Quando estou caminhando pra algum lugar, a vontade de me sentar no meio do caminho e ficar ali até quando Deus quiser é imensa, vontade de apenas sentar e não sair mais dali, pensar em tudo que já pensei milhões de vezes, não querer enfrentar a rotina que me espera a cada dia.
Porém preciso ir ao encontro dela e contabilizar mais um dia na minha vida, mais um dia que deixei passar sem fazer as coisas que realmente quis, ou ao menos dar início a elas.
O fato de também ter que enfrentar espelhos por todos os lados me decepciona, pois não quero ver que estou voltando a ser aquela pessoa de anos atrás, a qual lutei incansavelmente para combater, mas ela está voltando, voltando, nas calças, no espelho, na fome, até no pensamento!
Já deixei duas calças de lado que não cabem mais nessa pessoa que vos fala, pois, sem saber de nada, essa tal pessoa de anos atrás voltou para um "vale a pena ver de novo" sem ser convidada.
Enfim, to sem vontade de nada, simplesmente nada.
Que maravilha seria se eu pudesse dormir por um dia seguido e acordar revigorada, acordar do jeito que quero ficar, acordar com a energia de uma criança ativa, somente me preocupando com brincar, correr, cair e ralar o joelho.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A revolta de Nestor

Nestor, do alto da escadaria, grita a todos os transeuntes:
- Pois esse país tem tantos donos, até mesmo dizem que Deus nasceu aqui, mas ninguém quer assumir a culpa da nossa desigualdade, da nossa civilização!
As beatas se aglomeram ao redor da igreja, vendo o que lhes parece um louco em pleno surto, falando com o vento.
Nestor até lembra Moisés, com uma barba comprida, grisalha, roupas em trapos, até um cajado leva na mão direita, apontando aos céus ao proferir suas palavras revolucionárias.
- Quero um mundo melhor pra mim, pra todos nós, para que todos possam viver em harmonia, sem saber o que é um mendigo, o que é um morador de rua, o que é passar fome!
E a multidão apoiadora vem se achegando aos gritos, mesmo sem saber quem é tal pessoa que discursa com fervor e objetividade, enquanto que os céticos olham com curiosidade, alguns até sugerindo que liguem para o sanatório.
- Eu sou Nestor! Eu sou cidadão! Eu tenho meus direitos de lutar por um país melhor!
A multidão vibra, os trabalhadores param seus afazeres e debruçam-se na janela para ver quem provoca tamanho furor, os chefes já começam a ordenar que voltem para seus lugares.
- Alô, é do sanatório Santo Onofre? Você está ouvindo esses gritos? Pois é, acho que tem um louco promovendo uma rebelião aqui na Praça dos Estados, na frente da igreja Santa Doroteia. - ligou um indíviduo descrente que uma pessoa poderia expor sua opinião em público.

Logo o carro do sanatório veio chegando, os enfermeiros desceram e se dirigiram a Nestor sem proferir uma palavra, agarraram-lhe pelo braço.
- Quem são vocês? Me soltem! Eu estou dizendo a verdade para todos, nós não podemos nos calar!
Sem se manifestarem, os enfermeiros o levam arrastado, abrindo caminho no meio da multidão que tentava puxar Nestor para a liberdade, para o direito de opinar, mas não conseguiram, e o quase profeta se foi dentro do carro.
No entanto Nestor deixou suas palavras para o mundo, mesmo sabendo que elas seriam esquecidas, e que o povo não lutaria na mesma causa que ele por pura conveniência e medo. Tantos outros como ele apanharam, morreram, foram dados como loucos, hereges, anarquistas, rebeldes sem causa, e foram julgados por quererem lutar pelo direito de todos, onde muitos desses todos acham que a situação está boa e que não é preciso tomar uma atitude.
Será que você faz parte dessa maioria ou apoia Nestor?

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Natal sem graça

Por muitas e muitas vezes você se pergunta onde foi parar a empolgação da sua infância. Não é verdade? Ao menos pra mim sim.
Será apenas mais um final de ano, cheio de festas, presentes, fogos de artifício, comidas e pessoa sendo boazinha com todo mundo, só que mesmo que eu repudie essa ideia de que Natal e Ano Novo sejam sinônimos de presentes e falsas amizades, eu sinto falta da época em que ainda rolava alguma coisa aqui em casa.
Do que mais sinto falta é a casa cheia, as piadas, as risadas e brincadeiras, tudo o que existia de bom em um encontro de família. No entanto o Natal, de uns anos pra cá, não passa de um peru assado com a obrigação de presente, presente e presente. Aquela alegria de estar junto com os primos, tios, irmãos, fazendo farra até altas horas não existe mais, nem mesmo a empolgação por parte da minha mãe de fazer alguma coisa. Talvez por ela poderia ser mais um dia sem ninguém por aqui.
Às vezes me pego pensando se terei que esperar uns bons anos para eu mesma ter minha família e poder reuni-los como fazia na minha infância.
Cada um foi pro seu lado, os tios perderam a vontade por estarem envelhecendo, e esse vai ser mais um fim de ano sem graça. Conforme os anos passam, parece até que o número de fogos de artifício diminui, não chega nem a cinco minutos de "comemoração do nascimento de Jesus (como se ele tivesse nascido exatamente nessa data, e como se todo mundo realmente comemorasse isso. acho que muitos nem sabem o real sentido do Natal)".
Enfim, mais uma vez dezembro, mais uma vez minha mãe reclamando de ter que assar peru e fazer salada pra uma miséria de gente, mais uma vez aquele "feliz natal, tudo de bom!", mais uma vez a nostalgia.